Impressões sobre a Dissimulação

A investigação ciêntifica sugere que a maioria das pessoas não consegue distinguir através do comportamento se os outros estão a mentir. Este pobre desempenho é típico não apenas de leigos mas também de profissionais que lidam com a dissimulação. Neste estudo três grupos profissionais com especial interesse ou competência na dissimulação, dois grupos de forças da lei e um grupo seleccionado de psicólogos clínicos, obtiveram uma elevada precisão no julgamento de gravações de vídeo de pessoas que estavam a mentir ou a serem honestas sobre as suas opiniões. Estas conclusões reforçam as evidências anteriores de que alguns caçadores de mentiras profissionais são altamente precisos, e que as pistas comportamentais da mentira são detectáveis em tempo real. Este estudo também providência a primeira evidência que alguns psicologos conseguem alcançar elevada precisão a apanhar mentiras.

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Programação Neurolinguística vs Dissimulação

Os proponentes da Programação Neuro- Linguística (PNL) afirmam que alguns movimentos dos olhos são indicadores confiáveis de que alguém está a mentir. Segundo esta noção, uma pessoa que olha para cima e para a direita sugere uma mentira enquanto que olhar para cima e para o seu lado esquerdo é indicador de estar a dizer a verdade. Apesar de existir uma crença muito difundida nesta afirmação, não houve ainda nenhuma investigação que examinasse a sua validade. No Estudo 1 os movimentos dos olhos dos participantes que estavam a mentir ou a dizer a verdade foram registados, mas não corresponderam ao padrão da PNL. No Estudo 2 um grupo de participantes foi informado da hipótese dos movimentos dos olhos da PNL, enquanto que um segundo grupo de controle não foi informado. Os dois grupos ocuparam-se de um teste de deteção da mentira. Não surgiram diferenças significativas entre os dois grupos. O Estudo 3 envolveu o registo dos movimentos dos olhos dos participantes de uma conferência com alta reputação, tanto dos mentirosos como daqueles que estavam a ser honestos. Uma vez mais, não foram descobertas diferenças significativas. Analisados em conjunto os resultados dos três estudos não provam as afirmações da PNL. As implicações teóricas e prácticas das conclusões são discutidas.

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Comportamentos dos olhos e ocorrência de transpiração

Este mito afirmou que a reação do sistema nervoso autónomo, também responsável pela temperatura corporal, provocaria a ocorrência de transpiração nas palmas das mãos de uma pessoa que estivesse a mentir. Afirmar isto tem tanto sentido como, imagine, ao ver a luz de aviso de falta de combustível no painel de um automóvel se afirmar que é necessário abastecer o carro com GPL (gás de petróleo liquefeito) sem saber se o carro é a gasolina, gasóleo, etanol, GPL ou bateria elétrica. Uma percepção muito incompleta. Afirme-se que há uma reação autonómica motivada por uma de várias possibilidades. Mais do que isso é ficar aquém da realidade. Os polígrafos são insuficientes para detectar mentiras e são ignorados pelos tribunais por isto. Apenas medem excitação fisiológica sem que detetem mentiras apesar de algumas pessoas ainda acreditarem nisso. Como pode ver no denso relatório da American Academy of Sciences, ter conhecimento que se vai fazer um teste do polígrafo provoca por si só a excitação de emoções fortes, mais do que falar com outras pessoas numa sala. Existirá por isso grande parcialidade nos resultados que serão obtidos. Este mito da transpiração das palmas das mãos é injusto e leva facilmente a decisões precipitadas, com base numa expressão fisiológica do nosso corpo chamada hiperidrose, e com consequências para o próprio e para outras pessoas. Qualquer pessoa que esteja ansiosa, por uma infinidade de motivos, ou que seja naturalmente muito nervosa poderá transpirar das mãos é parte da natureza humana. Conhecer uma pessoa que causa admiração ou um sentimento de atração por exemplo motivaria esta manifestação mesmo nas pessoas mais assertivas. Conheço um advogado de enorme sucesso, que preveniu esta manifestação por via médica, e que é uma das pessoas mais assertivas que já vi; assim como outros dois casos de uma médica e de um engenheiro que suam abundantemente das mãos sem dizer mentiras.

A face humana e a gestão da percepção de outros

Os autores investigaram se a habilidade de parecer honesto é específica de situações de dissimulação. Os participantes masculinos foram interrogados depois de terem participado em duas situações de dissimulação de alto risco, uma envolvendo um crime simulado e outra envolvendo uma falsa opinião. As gravações em vídeo dos interrogatórios para cada situação foram mostradas a grupos independentes de observadores estudantes universitários. A proporção de observadores que julgaram cada participante como estando a ser honesto numa situação correlacionou-se elevadamente com a proporção de observadores que julgaram na outra situação o mesmo participante como estando a ser honesto. Isto não se correlacionou com julgamentos de fisionomia. Estudos de seguimento revelaram que embora os participantes tivessem revelado consistência nos seus comportamentos faciais, corporais e paralinguísticos ao longo das situações, os julgamentos dos observadores pareceram ser guiados apenas pela consistência de comportamentos faciais dinâmicos. Estes resultados são discutidos em termos da importância evolucionária da face na comunicação.

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